Redação
Um brigadista emocionou internautas ao ser filmado dando água a um lagarto que fugia de um incêndio florestal na região do Parque Estadual de Terra Ronca, em São Domingos, Goiás. O fogo começou no dia 10 de agosto e já consumiu mais de 10 mil hectares de vegetação, segundo levantamento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lasa/UFRJ).
O vídeo foi publicado nas redes sociais do brigadista civil Rodrigo Vieira no sábado (15). Nas imagens, o animal aparece debilitado após escapar das chamas. Ele chega a abrir a boca enquanto recebe água e, depois de beber, ergue o corpo.
Rodrigo contou que encontrou o lagarto em meio ao fogo e conseguiu retirá-lo da área atingida pelas chamas.
“Era um animal que estava no meio do fogo. Conseguimos salvar ele e demos água para ele para fazer a soltura”, explicou.
De acordo com a veterinária Luana Borboleta, o animal é um lagarto-preguiça, também conhecido como papa-vento ou camaleão-do-cerrado. A espécie possui grande capacidade de camuflagem e consegue mudar levemente de cor, o que ajuda a se esconder na vegetação.
Após retirar o animal do incêndio, Rodrigo registrou o momento em que um colega ajudava a dar água ao lagarto. O brigadista contou que também ficou comovido com a situação.
“Fiquei angustiado. Se de longe eu, com os EPIs, estava sentindo a quentura, imagina o bichinho no meio daquilo”, disse.
A gravação chamou a atenção de internautas brasileiros e também de pessoas de outros países. Entre os comentários, um fotógrafo alemão escreveu que a publicação era “muito bonita, mas triste”.
Segundo a veterinária Luana Borboleta, o lagarto-preguiça é comum na região de Terra Ronca e costuma permanecer camuflado em galhos de árvores.
A habilidade de se camuflar faz com que o animal permita a aproximação de pessoas. Na natureza, porém, ele pode passar despercebido, já que, de longe, sua aparência se confunde com a de um galho seco.
“O papa-vento deixa aproximar. Ele se acha meio que invisível, porque a camuflagem dele é muito boa. Poucas pessoas conseguem observar ele na natureza, pois, de longe, parece um galho seco”, declarou.
Ainda conforme a veterinária, a espécie não está ameaçada de extinção e também não é considerada vulnerável.
Os primeiros focos do incêndio no Parque Estadual de Terra Ronca foram identificados no dia 10 de agosto, segundo o Corpo de Bombeiros. Desde então, brigadistas civis e militares trabalham para controlar as chamas e impedir o avanço do fogo.
Em apenas dois dias após a identificação dos primeiros focos, cerca de 8 mil hectares de vegetação já haviam sido atingidos, conforme os bombeiros.
Um levantamento do Lasa/UFRJ divulgado na quinta-feira (13) apontou que a área atingida já ultrapassava 10 mil hectares. O número correspondia a aproximadamente 18,13% da área total do parque, que possui cerca de 57 mil hectares.
Além dos danos à vegetação, o incêndio representa uma ameaça à fauna da região, como mostrou o resgate do lagarto-preguiça encontrado em meio às chamas.
A origem do incêndio está sendo investigada pela Polícia Civil.
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